Registro de marca x registro de patente: qual sua empresa realmente precisa?

Registro de marca x patente: veja qual proteção jurídica faz sentido para sua empresa e quando vale investir em cada uma.

12/24/20253 min ler

Essa é uma das dúvidas mais comuns entre empresas brasileiras: registrar marca ou registrar patente?
Ainda há muita confusão sobre a finalidade jurídica de cada uma dessas proteções. A resposta curta é simples: marca e patente protegem coisas completamente diferentes.

A escolha correta depende, essencialmente, do que gera valor para o seu negócio.

Vamos ao que realmente importa, sem juridiquês.

O que o registro de marca protege, na prática?

O registro de marca protege a identidade comercial da empresa. É aquilo que o mercado reconhece.

O nome que você utiliza para identificar o seu produto e/ou o seu serviço é a sua marca. Exemplos comuns incluem:

  • Nome da empresa ou do produto

  • Logotipo

  • Nome de aplicativo, plataforma ou serviço

  • Slogan (em alguns casos)

Não registrar uma marca pode gerar riscos reais para a empresa. Imagine o seguinte cenário: você desenvolve a marca, constrói reputação, investe em marketing e ganha mercado, mas não realiza o registro. Um concorrente registra essa marca antes de você.

Nesse caso, a empresa que não registrou a marca pode ser proibida de utilizá-la e, inclusive, ser condenada ao pagamento de indenização pelo período em que utilizou a marca sem registro.

Além disso, pode ser necessário realizar um rebranding, com novos investimentos em divulgação e na construção de um novo nome no mercado.

Lembre-se: só é dono da marca quem a registra.

E o que o registro de patente protege?

A patente protege uma solução técnica, e não o nome nem a marca. Quando a empresa desenvolve algo inovador, capaz de resolver problemas técnicos ou aprimorar processos, a forma adequada de proteção é o registro de patente.

Ela é aplicável quando existe:

  • Invenção

  • Processo técnico novo

  • Solução funcional que resolve um problema de forma inédita

Vale lembrar que nem toda ideia pode ser patenteada. Mesmo que algo seja novo, se a solução for considerada óbvia para um técnico especializado naquela área, provavelmente não será patenteável.

Além disso, há muitos casos em que softwares não podem ser patenteados, o que exige uma análise jurídica prévia para definir a forma correta de proteção.

Onde as empresas mais erram

Os erros mais comuns que vemos na prática:

❌ Achar que patente protege nome ou software
❌ Achar que registro de marca protege tecnologia
❌ Não registrar nada e “deixar pra depois”
❌ Descobrir o problema só em investimento, M&A ou disputa judicial

Esses erros normalmente aparecem:

  • Em rodadas de investimento

  • Em disputas com concorrentes

  • Em notificações extrajudiciais

Afinal, o que sua empresa precisa: marca ou patente?

Use este raciocínio simples:

Sua empresa precisa de registro de marca se:

  • Vende produtos ou serviços ao mercado

  • Tem nome, logotipo ou aplicativo

  • Investe em marketing e posicionamento

  • Quer exclusividade no uso do nome

100% das empresas precisam disso porque todas possuem pelo menos um nome para vender seus produtos ou serviços.

Sua empresa pode precisar de patente se:

  • Desenvolveu uma solução técnica inédita

  • Atua com tecnologia industrial ou processos técnicos

  • A inovação pode ser copiada tecnicamente por terceiros

Uma minoria das empresas realmente se enquadra aqui.

E software? Marca, patente?

Aqui está outro ponto confuso.

  • Software não é patenteável no Brasil, como regra

  • O código fonte é protegido por direito autoral

  • O nome do software é protegido por registro de marca

    Há situações em que o software também pode ser protegido por patente. O exemplo mais comum são os softwares embarcados, ou seja, aqueles em que o software faz parte integrante de um hardware. Você pode se aprofundar nesse tema no texto a seguir: como proteger softwares: direitos autorais x patentes.

O que recomendamos na prática

Antes de qualquer registro, a empresa deveria responder:

  1. Onde está o valor do meu negócio?

  2. O risco é alguém copiar o nome ou a solução?

  3. Isso impacta crescimento, investimento ou mercado?

A partir disso, é possível:

  • Evitar registros desnecessários

  • Priorizar o que realmente protege o negócio

  • Economizar tempo e dinheiro

  • Reduzir risco jurídico futuro

Sua empresa sabe exatamente o que precisa proteger?
Tem alguma pergunta? Fale com um advogado especializado antes de investir no registro errado.

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