Sua Patente Pode Cair em Domínio Público: O Caso da Poliamina e o Erro de Não Pagar Anuidades
Parar de pagar a anuidade pode fazer sua patente cair em domínio público. Veja o que o caso da poliamina ensina às empresas.
2/23/20263 min ler
Muitas empresas acreditam que, depois de concedida, a patente está garantida até o final do prazo legal.
Mas há um detalhe crítico que pode mudar tudo:Se as anuidades não forem pagas, a patente pode ser extinta e a tecnologia pode cair em domínio público.
Foi exatamente esse o cenário discutido no chamado caso da poliamina — um exemplo claro de como a falta de gestão estratégica pode comprometer anos de inovação. Já pensou trabalhar anos em pesquisas e depois não explorar a própria invenção com exclusividade somente porque não pagou uma anuidades?
O que acontece quando a anuidade da patente não é paga?
No Brasil e em muitos países do exterior, a proteção patentária depende do pagamento periódico de anuidades perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A Lei nº 9.279/96 (Lei da Propriedade Industrial) estabelece que:
A falta de pagamento gera arquivamento ou extinção do pedido;
A patente concedida pode ser declarada extinta;
Após a extinção, a tecnologia pode ser explorada livremente.
Em termos práticos:
👉 A exclusividade acaba.
👉 Concorrentes podem utilizar a tecnologia.
👉 O investimento perde proteção jurídica.
O que foi o caso da poliamina?
Como mencionado em outros textos, a patente dá direito ao titular de exploração exclusiva do produto desenvolvido. Além disso, o pedido de patente é territorial e deve ser protegida em todos os países em que há interesse de exploração exclusiva. No caso envolvendo tecnologia de poliamina, o titular da patente deixou de manter o pagamento das anuidades em determinados territórios.
Como consequência:
A patente foi extinta nesses países;
A tecnologia caiu em domínio público;
O cenário concorrencial foi alterado.
O caso trouxe à tona uma questão essencial:
Abandonar uma patente pode impactar não apenas um território, mas toda a estratégia global da empresa.
Patente é custo ou ativo estratégico?
Muitas empresas tratam a anuidade como mera despesa.
Na prática, a patente é:
✔ Um ativo intangível de alto valor
✔ Um diferencial competitivo
✔ Um instrumento de licenciamento
✔ Um fator de valorização empresarial
✔ Uma barreira contra concorrentes
Um produto quando desenvolvido e patenteado traz de volta o retorno do investimento em todos os anos de pesquisa. Quando a empresa deixa de pagar a anuidade, pode estar abrindo mão de mercado.
A patente caiu em domínio público. E agora?
Quando ocorre a extinção por falta de pagamento:
A tecnologia pode ser utilizada por terceiros;
Não há mais exclusividade;
Pode haver redução do valor do portfólio de propriedade intelectual;
Contratos de licença podem perder força.
Em alguns casos, ainda é possível avaliar:
Novos aperfeiçoamentos patenteáveis.
Estratégias contratuais e concorrenciais.
Mas cada situação exige análise técnica individualizada.
Como evitar a perda da patente por falta de pagamento?
Empresas inovadoras precisam de:
1️⃣ Controle rigoroso de prazos
Calendário de anuidades atualizado.
2️⃣ Planejamento financeiro de portfólio
Avaliação estratégica de onde manter proteção.
3️⃣ Governança em propriedade intelectual
Integração entre jurídico, inovação e diretoria.
A falta de pagamento pode transformar sua inovação em vantagem do concorrente.
O caso da poliamina é um alerta claro:
Patente não é apenas registro, é estratégia, diferencial competitivo e um ativo da sua empresa.
Se sua empresa possui pedidos ou patentes concedidas no Brasil ou no exterior, é fundamental revisar:
Situação das anuidades;
Estratégia territorial;
Riscos de abandono;
Impacto concorrencial.
A equipe do Reis Araujo Advocacia atua com gestão estratégica de patentes, auditoria de portfólio e estruturação de governança em ativos intangíveis.
Antes que sua tecnologia caia em domínio público, vale a pena avaliar sua proteção.


